Quando falamos de inflação no Brasil, dois índices sempre aparecem em destaque: o IPCA e o IGP-M. Embora ambos sejam indicadores de preços, eles têm metodologias diferentes e, por isso, refletem realidades distintas da economia. Em 2026, compreender essas diferenças é essencial para quem acompanha a política econômica ou precisa negociar contratos de aluguel e reajustes.

O que é o IPCA?

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é calculado pelo IBGE e mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos.

•É o índice oficial de inflação do país.

•Serve de referência para o Banco Central definir a taxa Selic e cumprir a meta de inflação.

•Impacta diretamente o custo de vida: alimentos, transporte, energia, saúde e educação.

O que é o IGP-M?

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) é calculado pela FGV e tem uma composição mais ampla:

60% IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) – preços no atacado.

30% IPC (Índice de Preços ao Consumidor).

10% INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

Por incluir preços no atacado e custos da construção, o IGP-M é mais volátil e sensível ao dólar e às commodities. Tradicionalmente, é usado para reajustar contratos de aluguel e tarifas de longo prazo.

Diferenças Essenciais

CritérioIPCAIGP-M
InstituiçãoIBGEFGV
FocoConsumidor finalCadeia produtiva (atacado, consumidor, construção)
Uso principalPolítica econômica, metas de inflaçãoReajuste de contratos (aluguel, tarifas)
SensibilidadeCusto de vidaDólar e commodities
VolatilidadeMais estávelMais volátil
Impacto diretoSupermercado, energia, transporteAluguel e contratos de longo prazo

Contexto Atual em 2026

O IPCA segue como referência oficial para medir a inflação e orientar políticas econômicas.

O IGP-M, apesar de ainda ser usado em contratos de aluguel, tem enfrentado críticas por sua volatilidade. Há uma tendência crescente de migração para o IPCA para este tipo de contrato.

A Lei do Inquilinato não obriga o uso de um índice específico, permitindo que locador e locatário negociem qual será aplicado.

Conclusão

O IPCA e o IGP-M são índices fundamentais para entender a economia brasileira, mas cada um tem seu papel. Enquanto o IPCA reflete o custo de vida e orienta a política monetária, o IGP-M continua sendo relevante para contratos, embora sua volatilidade tenha levado muitos a preferirem o IPCA.

Em 2026, a escolha entre os dois índices depende do contexto: estabilidade e previsibilidade favorecem o IPCA, enquanto exposição a commodities e câmbio pode tornar o IGP-M mais vantajoso em determinados cenários.


Perez Imóveis

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